HAPPY HOUR ARTÍSTICO 

Muito popular no Brasil, o Happy Hour é mais do que um simples encontro após o expediente. A confraternização entre colegas de trabalho, marcada por conversas leves, tem origem nos anos 1920 e surgiu como uma forma de aliviar o estresse do dia a dia. Historiadores divergem sobre o surgimento da tradição: enquanto alguns apontam os Estados Unidos, onde os encontros aconteciam em bares clandestinos durante a Lei Seca, outros atribuem o costume à Europa, especialmente aos pubs ingleses. Independente da origem, a proposta sempre foi a mesma, deixar o trabalho de lado por algumas horas e relaxar.

Ao longo do tempo, a confraternização de trabalho se espalhou pelos quatro cantos do mundo, ganhou formatos variados e se firmou como um momento de pausa dos trabalhadores. Mas a nova proposta de Happy Hour Artístico vem chamando atenção e ampliando o significado desses momentos.

A ideia é reunir grupos para comer e beber em restaurantes ou cafés, enquanto pintam quadros, taças, bolsas, cerâmicas, porcelanas ou tecidos de forma livre ou, na maioria das vezes, seguindo instruções de um profissional artista que guia o processo do início ao fim, dando suporte a cada pessoa presente. Esses eventos também são uma ótima oportunidade de se desconectar das telas, relaxar e fazer networking tanto profissional como novas amizades.  

Uma das iniciativas que representam esse movimento é o PaintNite, projeto idealizado por Maísa Lima, arte-educadora, designer e pedagoga. A profissional afirma que a criatividade sempre foi seu motor, mesmo nas coisas mais simples do cotidiano. A proposta do projeto surgiu a partir de uma experiência no exterior e ganhou um toque ainda mais divertido ao ser pensada como uma pausa da rotina corrida das pessoas.

“Preparo todo o material e espaço de maneira personalizada, cada detalhe é pensado para que o participante se sinta acolhido desde a montagem dos pincéis ao resultado final. São muitas possibilidades para criar, em diversos formatos e o que mais a imaginação permitir! Para participar não é necessário saber desenhar ou pintar, as etapas são transmitidas de maneira descomplicada e divertida para que todos possam despertar o seu talento.”

Os eventos acontecem em diferentes cafeterias e restaurantes da cidade. Maísa conta que a escolha dos locais tem como proposta criar ambientes de acolhimento e conforto para atender diferentes estilos. “Variamos os locais para que quem é vibe vinho curta o seu momento, bem como quem é vibe café, curta também. É sempre muito prazeroso ver o sorriso no rosto dos participantes ao finalizar sua peça, é uma mistura de desafio e superação”, explica.

O formato atende a diferentes ocasiões como aniversários, encontros entre amigas, despedidas da barriga com pinturas em bodys que marcam os meses do bebê, além de ações corporativas voltadas para o team building. As empresas, segundo a artista, têm compreendido cada vez mais a importância da pausa criativa como ferramenta de engajamento e fortalecimento das equipes.

Vivenciando o encontro pela primeira vez, a estudante de odontologia Liz Tinoco, compartilha que a experiência de pintar uma tela em um Happy Hour foi única. “Foi uma experiência muito diferente e divertida! Nunca tinha participado de um evento como esse. A leveza e a descontração do lugar foram perfeitos para estimular a minha criatividade e pintar de um jeito único, enquanto tomava um bom café. Além disso, pude reencontrar a própria Maísa, que foi minha professora de artes do período que eu estava no fundamental”, diz.

Essa mesma proposta de transformar a pintura em um momento de descontração também está presente no trabalho de Renata Diniz, artista especializada em pintura e artesanato à mão livre. A ideia nasceu em seu próprio ateliê, onde Renata já trabalhava com a personalização de taças, copos e peças diversas. 

“Me apaixonei tanto pelo processo de pintar que pensei como seria interessante promover encontros descontraídos com mulheres, oferecendo técnicas de pintura em uma noite de muita conversa, vinhos e risadas! Todo processo manual desconecta a gente um pouco dos problemas e da correria do dia a dia.”

A partir disso, a artista desenvolveu workshops de pintura em taças de cristal, vidro, porcelana e em bolsas. Os encontros acontecem, na maioria das vezes, em um espaço aconchegante em sua própria casa, mas também já foram realizados em docerias e restaurantes, sempre com o objetivo de proporcionar a melhor experiência possível para as participantes.

Segundo Renata, os momentos em grupo se tornaram um dos pontos altos do ateliê em 2025, em que as mulheres chegam como desconhecidas e muitas vezes saem conectadas, após horas de troca, leveza e conversas espontâneas. Uma frase recorrente entre as participantes resume o impacto da experiência: “Foram horas que consegui não pensar em nenhum problema”. Para a profissional, esse é o verdadeiro sentido do trabalho. “É isso o que verdadeiramente importa pra mim, não só ensinar alguma técnica, mas principalmente saber que consigo oferecer bons momentos nessa rotina tão corrida”, explica. 

A presença da gastronomia também desempenha um papel importante nos momentos, onde vinhos, aperitivos e o ambiente acolhedor ajudam a tornar o encontro ainda mais especial. Renata acredita que a gastronomia também é uma arte e essa união com a pintura deixa tudo mais prazeroso e descontraído.