DANIELA CHAGAS: CUIDAR SEMPRE FOI O CAMINHO

Empresária, enfermeira por formação e diretora geral do Grupo Nursing Care, Daniela Chagas construiu sua trajetória a partir da experiência, fé e de uma visão humanizada da saúde. Fundadora de um dos principais grupos de home care de Campos e Região e responsável pela criação do Hospital Nursing Care, na terra campista, ela reúne mais de duas décadas de prática na área, transitando entre assistência, gestão e empreendedorismo.

Em entrevista exclusiva à Revista Fever, Daniela fala sobre o início da sua carreira na enfermagem, os desafios de liderar um hospital, sua relação com a fé, a maternidade e os projetos que ainda deseja realizar, tanto no campo profissional quanto no pessoal.

Fever: Como começou a sua paixão pela área da saúde? O que te motivou a ser enfermeira? 

Daniela: A enfermagem não surgiu exatamente como uma escolha planejada. Às vezes, a gente fala que existem caminhos que não são opções, são direcionamentos. Eu cheguei a cursar faculdade de direito, mas não me identifiquei. Como me casei muito cedo, pensei em alguma faculdade que fosse durante o dia, eu não queria estudar à noite, e as opções que eu tinha na época eram direito, fisioterapia, ou enfermagem.

Acabei escolhendo Enfermagem muito mais pelo horário do que por inspiração em alguém, mas logo no início da faculdade, percebi que era exatamente aquilo que eu gostava de fazer. Costumo dizer que foi uma inspiração de Deus, porque deu certo. Nunca fiquei me perguntando “e se eu tivesse escolhido outra coisa?”. Naquele momento, era a opção possível e foi a melhor que fiz.

Eu me formei em 2003 na Universidade Salgado de Oliveira, mais conhecida como Universo, em Campos. Fui da terceira turma de Enfermagem da instituição, se não me falha a memória. Depois disso, trabalhei cerca de sete anos em hospitais da cidade. Passei por praticamente todos. Cada lugar foi um aprendizado. Quando a gente atua em diferentes unidades, aprende um pouco de tudo.

Também trabalhei em uma empresa de home care, onde entrei em 2003 e permaneci até 2010. Foi ali que comecei a entender melhor o funcionamento de uma empresa estruturada. Atuei como coordenadora e vivenciei a rotina de uma grande operação, inclusive com muitos deslocamentos para São Paulo, já que Campos era uma filial. Depois disso, foram sete anos trabalhando em hospital, trabalhei em quase todos os hospitais de Campos. Eu considero que foram sete anos de preparo, porque quando a gente trabalha em várias unidades, em cada lugar você aprende alguma coisa. 

Fever: Quando surgiu o desejo de empreender e criar o Nursing Care – Home Care?

Daniela: Em 2010, junto com meu marido, decidimos abrir o nosso próprio home care na Avenida Alberto Torres, que funciona até hoje. Ele já era empresário, eu não. Sempre fui muito da operação, de fazer o negócio funcionar. A parte financeira e administrativa não era algo que eu dominava, até porque a faculdade não nos prepara para isso.

Por isso, fiz um MBA em Finanças Corporativas na Universidade Cândido Mendes. Curiosamente, assim que finalizei o MBA, fui direto para a minha própria empresa. Aquele período, de 2003 a 2010, foi um grande preparo. Todo mundo precisa passar pelo processo antes de construir algo sólido.

Começamos com uma sala pequena, no Centro Executivo, mas a visão sempre foi grande, porque eu vinha de uma empresa estruturada e sabia como uma empresa de grande porte funcionava. Cerca de três anos depois, compramos uma casa e estruturamos o home care do jeito que acreditávamos e seguimos há quase 16 anos cuidando de pessoas com toda dedicação e humanização.

Fever: E quando nasceu o sonho do hospital?

Daniela: Em 2014, comecei a sonhar com um hospital, mas inicialmente não era exatamente o hospital que temos hoje. Meu incômodo vinha do home care, pois quando um paciente precisava ser internado, ele era levado para um hospital geral, e as famílias sofriam muito com isso. Elas queriam estar em casa, mas havia procedimentos que não podiam ser feitos no domicílio.

Meu sonho era ter um hospital de transição em que eu pudesse receber esse paciente, tratar e devolvê-lo para casa o mais rápido possível. Fui buscar referências fora, principalmente em São Paulo, porque aqui não encontrávamos esse modelo. Conheci um hospital que trabalhava exatamente dessa forma, voltado para pacientes idosos e com comorbidades. Costumo dizer que esse era o meu sonho, mas como cristã, acredito muito na surpresa divina. Deus ampliou esse projeto e entendi que Campos precisava de um hospital geral, com uma filosofia diferente.

Hoje, o Hospital Geral Nursing Care tem centro cirúrgico, UTI humanizada, quartos que são suítes, com conforto e dignidade, e o paciente não fica sozinho em momento algum. A obra começou em 2021, o hospital ficou pronto em dois anos e foi inaugurado em 2023. Em poucos meses, o projeto já precisou se expandir e seguimos crescendo, com novos planos previstos para 2026.

Sempre digo que a história do Hospital Geral Nursing Care não começou há três anos. Ela começou quando me formei, em 2003. Foram mais de 20 anos de jornada, aprendizado, planejamento e fé.

Fever: Além do Grupo Nursing Care você atua em outros negócios? 

Daniela: O Nursing Care é um grupo. Temos Home Care, com a matriz em Campos, e tem uma filial, em Vila Velha, no Espírito Santo. E claro, o Hospital Geral Nursing Care. São três negócios, dois que são do mesmo modelo Home Care e um hospital. 

Fever: Quais missões você tem trabalhado para trazer o melhor para o Nursing Care, tanto para os pacientes quanto para os funcionários? 

Daniela: O que nós sempre buscamos para o nosso grupo, não só o hospital como para o Home Care também, são princípios. Trabalhamos com o olhar para acolhimento, amor, cuidado, ética, carinho e responsabilidade. Prezamos pela consciência e respeito da equipe uns com os outros, porque costumo falar que lá tudo é problema de todos e precisamos ajudar uns aos outros.

Fever: A rotina de um hospital é difícil e demanda muita dedicação e presença. Como você equilibra o trabalho e a vida pessoal? 

Daniela: O hospital realmente demanda muito trabalho e a liberdade geográfica que temos atualmente faz com que a gente trabalhe todo dia, o tempo todo. Consigo acompanhar o hospital pelo computador, acessar indicadores, câmeras, dados. Posso estar viajando e continuar trabalhando. 

Porém, tempo é uma moeda que não dá para comprar, mas dá para organizar e requer disciplina para dar tempo de fazer tudo e aproveitar bem o dia. Então eu acordo 6 horas para poder treinar, para tomar um café sossegada, sem correria, com meu marido, com meu filho, para que eu possa chegar no hospital e executar meu trabalho de forma tranquila. 

Fever: Quem é a Daniela fora dos espaços de negócios e trabalho?

Daniela: Eu tenho muitos anos no negócio, muitos anos de trabalho, então é difícil separar a mulher, a empresária, da mãe, da filha e da esposa. Só que com o decorrer do tempo, eu consegui entender melhor os meus papéis e passei a separar um pouco mais cada um. E aí, eu consigo trazer para perto o que eu preciso fazer, porque muitas vezes a gente fica só no trabalho mesmo, e acaba esquecendo do resto e a correria de criar um filho também acaba influenciando a falta de tempo. 

Hoje, dedico parte da minha vida a ensinar a Palavra de Deus, especialmente para mulheres. Também sou muito ligada à família, sou caseira, gosto de estar em casa, com meus filhos e meu marido. Tenho três filhos maravilhosos: a Helen, de 27 anos, médica radiologista que mora no Rio; o Lucas, de 31 anos, dentista, que mora em Campos; e o Benjamin, de 7 anos. Também sou avó do Heitor, de três anos.

Os sábados e domingos são aqui na área de churrasco, com a família reunida. Valorizo muito isso porque não é só ter uma casa, é construir um lar! Também cuido da minha saúde, corro, faço exercícios, mas sem abrir mão da minha família, que é meu maior ministério.

Fever: Você tem algum hobby ou algum esporte que goste de fazer? 

Daniela: Eu gosto de correr e caminhar, mas também faço musculação por questões de necessidade. Gosto do resultado, gosto de ficar bem, só que não é minha paixão como atividade física. De hobby, eu amo ler. Você vai me ver lendo dois, três livros ao mesmo tempo, porque eu gosto de ler.

Além disso, também amo brincar e assistir televisão com o meu filho mais novo. Eu me sento com ele no quarto de brinquedos, assistimos a TV, fazemos muita bagunça com os brinquedos e nos divertimos muito. Fico muito feliz, grata e renovada de ter momentos com os meus filhos e meu neto também!

Fever: Olhando para o futuro, que planos e sonhos pessoais e profissionais você ainda deseja realizar? 

Daniela: Hoje nosso planejamento estratégico é estruturar o hospital. Vamos ter ampliações, como os leitos e o centro cirúrgico. Tem bastante projeto vindo voltado para o hospital aqui em Campos, nesse momento. Já no pessoal, são os meus ministérios, a minha intimidade com Deus, o meu crescimento espiritual, que eu não abro mão mesmo.

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