Excelência que atravessa o tempo

Antes de se tornar referência, Ana Pellegrini construiu uma trajetória pautada por disciplina, excelência e visão de futuro. Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), com formações complementares em medicina do trabalho e medicina estética, sua carreira é marcada por uma combinação rara entre rigor científico e sensibilidade no cuidado.

Ao longo dos anos, ampliou sua atuação para além do consultório. Presidiu a distrital norte-fluminense da SBD, esteve à frente de campanhas de prevenção ao câncer de pele e participou ativamente do fortalecimento da dermatologia na região. O reconhecimento vem desde a base: foi a primeira colocada na turma de Medicina, em 1989, na Faculdade de Medicina de Campos.

Na prática, seu pioneirismo se materializa na PELLE Medical. A clínica não apenas introduziu o laser dermatológico no interior do estado do Rio de Janeiro, como também antecipou um modelo que hoje se consolida: o cuidado integrado, com equipe multidisciplinar e olhar ampliado sobre a estética médica.

Mais do que acompanhar transformações, Ana Pellegrini ajudou a redesenhar o cenário local, elevando padrões, formando profissionais e consolidando uma atuação onde técnica, inovação e responsabilidade caminham lado a lado.

Fever: Ao longo da carreira, o que permanece como essência no seu olhar sobre a dermatologia, apesar de todas as transformações da área?

Ana: A essência sempre foi, e continua sendo, o cuidado individualizado, com muita conexão emocional com o paciente. A tecnologia evolui, as técnicas se transformam, mas a capacidade de olhar o paciente de forma única, respeitando sua história, sua anatomia e seu tempo, permanece inegociável. Dermatologia, para mim, nunca foi sobre padronizar beleza, e sim sobre revelar a melhor versão possível de cada pessoa, com naturalidade e responsabilidade.

Fever: Durante a trajetória profissional, foi possível acompanhar uma revolução tecnológica na estética. Qual foi o momento mais marcante dessa virada e como ele impactou sua prática?

Ana: Sem dúvida, a entrada da toxina botulínica e dos preenchedores com ácido hialurônico, em 1995. A partir desse momento, passamos a estruturar um olhar mais tridimensional para a face. Em 2005, os estudos da técnica de MD Codes, pelo cirurgião plástico Mauricio de Maio, também revolucionaram a prática dos injetáveis.

Fever: Uma profissional que se destaca desde os tempos da formação acadêmica. Como foi ser pioneira em procedimentos importantes do setor? Foi primeira colocada na turma de formação em medicina e primeira profissional a usar laser dermatológico, na região.

Ana: Desde a formação, sempre tive um compromisso muito claro com a excelência. Ser a primeira colocada na graduação foi reflexo de disciplina, mas, principalmente, de um olhar inquieto, de quem sempre buscou ir além do básico. Quando trouxe o laser dermatológico em 1995 para a região, vivi um momento que, na época, exigia não apenas conhecimento técnico, mas coragem. Era uma tecnologia ainda pouco difundida fora dos grandes centros, e apostar nisso foi, acima de tudo, uma decisão de visão de futuro. Cada inovação que introduzi na minha pratica sempre teve como base a ciência, a segurança e o compromisso de oferecer aos meus pacientes o que há de mais avançado. com critério e propósito.

Fever: Em um cenário muitas vezes guiado por tendências, como sustentar uma atuação baseada em ciência, ética e segurança sem renunciar à inovação?

Ana: Isso exige posicionamento. Nem tudo que é tendência merece ser incorporado. Acredito em inovação com critério, baseada em evidência, experiência clínica e segurança. Muitas vezes, dizer “não” é tão importante quanto oferecer o melhor tratamento. A confiança do paciente e construída exatamente nesse equilíbrio.

Fever: Ser reconhecida como uma das maiores injetoras da região carrega também uma responsabilidade simbólica. Como lidar com esse lugar de referência?

Ana: Com muita consciência e humildade. Esse reconhecimento não é apenas técnico, ele carrega um compromisso com a formação de outros profissionais, com a ética da prática e com o exemplo que se transmite. Sinto-me responsável por elevar o padrão da dermatologia na minha região, não apenas pelo que faço, mas pelo que inspiro.

Fever: A profissional teve papel importante em posicionar Campos dos Goytacazes no mapa da estética nacional. O que mais a orgulha nessa construção?

Ana: O que mais me orgulha é mostrar que excelência não precisa estar restrita aos grandes centros e saber que meu pioneirismo dinamizou o mercado. Construímos uma clinica com padrão internacional em Campos, formando equipe, atraindo pacientes e, principalmente, inspirando outros colegas a acreditarem no potencial da região. Isso é legado.

Fever: Existe um princípio ou valor inegociável que orienta suas decisões dentro e fora do consultório?

Ana: Dermatologia baseada em ciência e naturalidade. Sempre. Beleza não pode ser exagero, não pode ser artificial. Além disso, a ética é inegociável, tanto na indicação quanto na execução dos procedimentos. Eu só faço aquilo em que realmente acredito e que o paciente realmente necessita.

Fever: Em uma rotina de alta exigência, o que faz para desacelerar e se reconectar consigo mesma?

Ana: Viajar é um dos meus principais momentos de reconexão. Estar em lugares com história, arte e estética, como a Itália, me inspira profundamente. Também valorizo momentos mais silenciosos, com minha família, que me trazem equilíbrio e perspectiva.

Fever: O que, hoje, mais lhe traz sensação de bem-estar e realização pessoal?

Ana: Sentir o impacto real do meu trabalho na autoestima das pessoas. Quando um paciente se sente mais confiante, isso vai muito além da estética. Também me realiza ver outros médicos crescendo através das minhas mentorias.

Fever: Quais foram os desafios mais significativos ao longo da sua trajetória e o que eles ensinaram sobre resiliência e reinvenção?

Ana: Empreender na medicina, especialmente fora dos grandes centros, é um desafio constante. Houve momentos necessidade de adaptação e decisões difíceis. Aprendi que resiliência é manter consistência mesmo quando os resultados não são imediatos, e que a reinvenção faz parte do crescimento.

Fever: O que ainda a move? Onde encontra motivação depois de uma carreira tão consolidada?

Ana: O desejo de evoluir e superar desafios. A medicina está em constante transformação, e isso me motiva. Além disso, construir algo maior, seja através da clínica, da mentoria ou de novos projetos, me impulsiona diariamente.

Fever: Fora da medicina, quais interesses, hábitos ou paixões ajudam a compor quem é Ana Pellegrini além da profissional?

Ana: Tenho grande interesse por estética no sentido mais amplo: arte, arquitetura, experiências. Gosto de viajar, descobrir novos lugares e viver experiências que tragam inspiração. Também valorizo muito momentos de convívio e troca, que enriquecem minha visão de mundo.

Fever: Ao olhar para o futuro, quais são os próximos passos que mais a entusiasmam?

Ana: Estou envolvida na estruturação dos meus programas de mentoria, para impactar mais médicos. E, no plano pessoal, continuar vivendo experiências com propósito, viajar, aprender e construir uma trajetória cada vez mais alinhada com quem eu sou.

@dra.anapellegrini.dermato