ANO NOVO, VIDA REAL

O ano mal começou e, na lista de metas de muitos brasileiros, uma decisão se destaca: tirar o pé do acelerador e valorizar o que realmente faz sentido. Diferentes pesquisas indicam que o desejo para 2026 é viver uma vida mais “normal”.

Mas o que isso significa, afinal?
Para muita gente, desacelerar virou sinônimo de sucesso.

Estamos falando da valorização do descanso, do ócio criativo, do trabalho híbrido e, principalmente, da redefinição do conceito de produtividade. Produzir mais já não é, necessariamente, produzir melhor.

Uma pesquisa global do Instituto Ipsos, especialista em Pesquisa de Mercado e Opinião Pública, publicada no final do ano passado, revela que 8 em cada 10 brasileiros acreditam que 2026 será melhor do que 2025, um índice superior à média global, que é de 71%. Esse nível elevado de otimismo aparece claramente na lista de desejos e metas para o novo ano.

Curiosamente, essas novas prioridades se assemelham a um resgate de hábitos antigos. A prática de atividade física aparece no topo das intenções: as pessoas compreenderam que o corpo precisa se movimentar para que a qualidade de vida melhore. Alimentação de verdade, mais saudável. Mais tempo com filhos e pais. Mais equilíbrio emocional.

O autocuidado deixou de ser luxo e passou a ocupar um lugar central na vida cotidiana, principalmente entre as mulheres. A mente está pedindo calmaria e, finalmente, começa a ser ouvida.

Outra meta recorrente é a redução do tempo de tela. A fadiga digital já é uma realidade. Após anos conectados quase ininterruptamente (entre trabalho remoto, redes sociais, excesso de notícias negativas e comparações constantes) muitas pessoas perceberam o quanto esse comportamento drena energia, foco e bem-estar. Menos tela passou a significar mais presença e menos ansiedade.

Psicólogos já identificam esse movimento de forma consistente no Brasil. Há uma valorização crescente do autocuidado e da saúde mental, com mais pessoas buscando terapia, falando abertamente sobre emoções e adotando práticas voltadas ao bem-estar integral. Trata-se de um reflexo dos impactos socioculturais recentes, como a pandemia, a digitalização acelerada e os debates públicos, que ampliaram a compreensão sobre o que significa cuidar de si, indo além da estética e incluindo hábitos saudáveis e suporte emocional.

Esse novo olhar também alcançou a estética do lar. A casa deixou de ser vitrine e passou a ser refúgio, em um processo novamente liderado, em grande parte, pelas mulheres. Organização, conforto e beleza agora caminham juntos com a ideia de acolhimento. O lar precisa ser um abraço na volta para casa.

Esse comportamento tem nome: “home as sanctuary” – a casa como santuário. Uma tendência global que vem se fortalecendo e ganhando cada vez mais espaço.

O mercado imobiliário confirma essa busca por mais qualidade de vida. Cresce a procura por casas com quintal, preferencialmente em condomínios fechados e, em muitos casos, fora dos grandes centros urbanos. Mais liberdade, mais segurança e mais espaço para a convivência familiar. O trabalho remoto contribuiu significativamente para viabilizar esse movimento.

Em resumo, desacelerar e viver o que sempre foi considerado simples, almoçar em casa com a comida cheirando desde o portão, brincar com os filhos no quintal, ir à academia, ter conversas reais e presenciais com um café passado na hora, desconectar-se das redes sociais ou, simplesmente, passar parte do dia sem fazer nada, passou a ser visto como o novo luxo.

@_aleribeiroficial