O que faz um negócio de beleza durar mais de 45 anos?

O mercado da beleza continua entre os mais fortes do empreendedorismo brasileiro. Segundo dados do Sebrae, mais de 235 mil novos pequenos negócios ligados ao setor foram abertos no país nos últimos anos, impulsionados por um consumidor que busca cada vez mais do que serviços: procura experiência, acolhimento, bem-estar e conexão.

Mas, em um mercado onde novas marcas surgem todos os dias, permanecer relevante por décadas é um desafio para poucos. A história do New Richard ajuda a explicar como tradição e inovação podem caminhar juntas há mais de 45 anos.

Agora, esse legado também ganha novos capítulos através de Nathália Peixoto, que representa a nova geração do negócio familiar. Ao lado do pai, ela participa da continuidade de uma história construída ao longo de décadas e contribui para a expansão da marca por meio de projetos como a BarberShop.

Em entrevista exclusiva à Revista Fever, Nathália fala sobre sucessão familiar, empreendedorismo, construção de marca, inovação, liderança e os desafios de manter um negócio relevante em um dos mercados mais competitivos do país.

Fever: O salão New Richard atravessa gerações em Campos dos Goytacazes. Em que momento você percebeu que o salão já fazia parte não apenas da história da família, mas também da história da cidade?

Nathália: A história do New Richard se confunde com a de Campos em momentos muito sutis, mas cheios de emoção. Eu percebi que o salão já era parte do coração da cidade quando passei a observar a nossa recepção com mais atenção e vi o ciclo da vida acontecer ali dentro.

Ver avós, mães e filhas compartilhando o mesmo espaço, ou uma cliente que começou a cuidar dos cabelos com o meu pai há 40 anos trazendo a neta para o primeiro corte, é a maior prova de amor e fidelidade que poderíamos receber.

Quando entendemos que o New Richard é o cenário onde as mulheres da cidade se preparam para seus momentos mais marcantes (casamentos, formaturas, conquistas profissionais), ficou claro: nós não somos apenas um negócio de beleza. Somos um ponto de encontro, de conversas, de cumplicidade e de memórias para as famílias campistas.

Fever: O setor da beleza mudou radicalmente nas últimas décadas. O que foi essencial para o New Richard conseguir se manter relevante ao longo do tempo?

Nathália:O segredo para atravessar mais de 45 anos com as salas cheias é o equilíbrio entre o respeito à nossa essência familiar e o entusiasmo pelas novidades. O mercado da beleza muda muito rápido, mas o New Richard sempre teve uma base sólida: uma cultura de acolhimento e carinho que é inegociável. 

Nunca nos acomodamos no título de pioneiros absolutos. Ser a principal referência da região nos exige um olhar atento ao novo, mas trazemos as tendências globais para a nossa realidade sem perder a nossa identidade tradicional.

Fever: Em um mercado tão competitivo e acelerado, o que diferencia um negócio que permanece de um que desaparece?

Nathália: O mercado está cheio de novidades que duram apenas uma temporada. O que separa os negócios passageiros das marcas que criam raízes e história é a intencionalidade e o envolvimento da equipe. Quem desaparece foca apenas na transação; quem permanece foca nas pessoas e na experiência que elas vivem ali dentro.

Tanto no New Richard quanto na BarberShop, para sustentar o nosso crescimento, nós cuidamos muito bem de quem cuida dos nossos clientes. Nossos colaboradores são treinados para alcançar a visão plena do negócio. Quando o time inteiro respira a mesma cultura e o mesmo propósito, o atendimento deixa de ser um processo mecânico e se transforma em um momento de cuidado genuíno, feito sob medida para a necessidade e o momento de cada pessoa que entra pela nossa porta.

Fever: Como foi, emocionalmente e profissionalmente, viver essa sociedade entre pai e filha dentro da empresa, segmentando aos cuidados exclusivos para o público masculino através da BarberShop by New Richard?

Nathália: Profissionalmente, foi o projeto mais transformador da minha carreira. Observando o mercado, percebi que o homem precisava de um espaço que fosse “a cara dele”, onde ele se sentisse confortável. Foi aí que tirei a ideia do papel: planejei cada detalhe do projeto junto com a arquiteta Babi Teixeira e inauguramos a BarberShop by New Richard com a maior quantidade de serviços de beleza, bem-estar e cuidado masculino que conheço.

Emocionalmente, foi uma forma certeira de expandir o legado do meu pai. Pegamos o DNA de pioneirismo e a seriedade do New Richard e aplicamos a um formato totalmente novo, que agora em julho completa 15 anos de história.

Trabalhar em sociedade com o meu pai, trazendo essa inovação para o público masculino enquanto ele mantém a maestria no atendimento feminino e masculino, é um orgulho gigante. É a união perfeita entre a sabedoria de quem construiu uma base sólida e a minha energia para desbravar novos caminhos.

Fever: O mercado da beleza hoje vai muito além de cabelo e estética. Existe experiência, posicionamento, atendimento, branding e conexão emocional. Em que momento vocês perceberam que o salão e a BarberShop também precisavam se tornar marca?

Nathália: Percebemos isso quando notamos que nossos clientes não nos procuravam apenas por um serviço estético, mas pelo bem-estar, pela confiança e pela atmosfera que encontravam conosco. A nossa transformação em marca aconteceu quando colocamos intenção em cada pequeno detalhe da jornada deles.

O New Richard precisava ser reconhecido como a marca definitiva de beleza feminina na região, e a BarberShop precisava se posicionar como o refúgio do homem moderno. Quando desenhei a barbearia com a Babi Teixeira, cada escolha de design e cada serviço incluído no menu foi pensado para criar essa conexão emocional e esse posicionamento de exclusividade.

Enquanto o mercado muitas vezes foca no volume e na rapidez, nós preferimos focar no acolhimento. Ser marca é garantir que o cliente, seja a mulher no salão ou o homem na barbearia, sinta o mesmo carinho e padrão de excelência desde o primeiro bom-dia na recepção.

Fever: O cliente da beleza mudou muito nos últimos anos. O que você sente que o público busca hoje que talvez não buscasse quando vocês começaram?

Nathália: Hoje, o cliente busca tempo de qualidade, personalização de verdade e um momento de cuidado integrado. Anos atrás, ir ao salão ou à barbearia era visto apenas como uma obrigação prática ou de higiene. O público atual busca lugares que ofereçam uma experiência sob medida, onde eles se sintam acolhidos, compreendidos e parte de uma história legítima.

@newrichardcampos

@barbershop.nr