Erika Januza compartilha com a Fever sua jornada e o legado que deseja construir para novas gerações.
Conversar com Erika Januza é iluminar caminhos. Atriz, apresentadora e voz potente na cultura brasileira, ela transformou sua presença na TV e no streaming em símbolo de representatividade e inspiração para milhares de meninas e mulheres negras.
De Minas Gerais para o país, Erika construiu uma trajetória marcada por talento, coragem e propósito. Aos 40 anos, segue ampliando fronteiras: encanta na ficção, provoca reflexões no Saia Justa, da GNT, e inspira ao mostrar que ocupar espaços de destaque não é sobre exceção — é sobre direito.
Premiada como 4ª Celebridade Inspiradora de 2025, ela recebeu a Revista Fever com sorriso largo e uma memória viva da menina que ousou sonhar, rompeu barreiras no audiovisual e conquistou espaços que antes nem imaginava alcançar.
Fever: Erika, você se tornou referência para tantas meninas e mulheres negras que sonham com um lugar de destaque na TV e no entretenimento. Em que momento da sua trajetória você percebeu que sua carreira havia se transformado também em uma missão de representatividade?
Erika: Eu só fui entender a grandiosidade disso tudo depois que já estava trabalhando como atriz. No início, eu não tinha muita noção do que meu primeiro personagem, em Subúrbia (2012), representava. Eu sabia que estava realizando um sonho, mas não entendia a potência daquele papel. Com o tempo, os feedbacks foram chegando. Mulheres dizendo que se inspiravam em mim, meninas comentando que meu cabelo parecia com o delas… Eu não tinha isso dentro de casa. E o audiovisual me trouxe muita sabedoria, porque me tirou de uma ignorância — no sentido de não saber a força e a representatividade daquilo. Seja no audiovisual ou no Saia Justa, fico emocionada sempre que alguém diz que se sentiu representada.
“Cada pessoa negra que não desiste e quer ser destaque, independentemente da profissão, já está fazendo por todas nós.”
Fever: Em 2025 você despontou em várias frentes, experimentou novos formatos e viveu um ciclo muito especial. O que você planeja para 2026?
Erika: 2025 foi um ano maravilhoso. Foi realmente um ano de mudança de ciclo para mim. Fiz 40 anos, me despedi da Escola de Samba Viradouro, lancei o programa Rainha Além da Avenida no Globoplay — mostrando a potência das rainhas de bateria, mulheres que muitas vezes são vistas apenas como corpos, mas que são mães, professoras, trabalhadoras. Tive ainda mais uma temporada de Arcanjo Renegado e o filme DPA 4. Fiz aniversário mudando muitas coisas na minha vida, e isso tudo trouxe força. Para 2026, eu espero muito. Quando a gente se entrega e se dedica, os frutos vêm. E uma coisa que repito sempre para mim: Não desista. Vai! É difícil, mas não desista. O próximo ano, com certeza, será de muito trabalho.
Fever: No Saia Justa, você tem levado temas profundos com sensibilidade e firmeza. Como tem sido ocupar esse espaço de opinião, diálogo e influência? Algum tema recente te atravessou de forma especial?
Erika: Eu tinha muito medo de ser eu mesma no programa. Uma coisa é interpretar um personagem com texto pronto; outra é sentar no sofá e mostrar quem a Erika é. A cada dia de gravação eu pensava: agora vai dar problema (risos). Lá, eu me esforço para não falar o que eu não acredito, não falar para agradar, não dizer o que não penso só para ser aceita. É um exercício diário. É abrir o coração, ouvir, e depois dizer o que eu realmente sinto. Quando alguém diz que se identifica comigo naquele sofá, fico muito feliz. Sinto que estou no caminho certo.
Fever: O protagonismo negro segue em debate no país. Você acredita na possibilidade de um nivelamento real de oportunidades?
Erika: Se Ruth de Souza, Léa Garcia, Zezé Motta tivessem desistido diante dos ‘nãos’, eu não estaria aqui. Elas abriram portas com muito sacrifício. E cabe a nós continuar construindo para que as próximas gerações entendam sua potência e não se sintam sozinhas.
“Não podemos desistir de pensar em novas possibilidades.”
Fever: Para encerrar: o que você diria para a Erika menina que não imaginava chegar tão longe?
Erika: Vai ser difícil… mas vai dar certo. (risos)






