A arte do autoral

Há estúdios que nascem de uma busca técnica, e há outros que surgem de uma inquietação mais íntima: compreender pessoas, cenários e emoções para além da lente. O olhar autoral do Estúdio Sapoti o coloca no segundo grupo. Instalado em um espaço pensado para receber sem pressa, ele se construiu a partir do olhar atento dos jovens fotógrafos João Victor Rangel e Chiara Wezka, um olhar que procura o encontro entre o natural e o planejado, onde ocenário e o gesto se encontram de forma espontânea.

“Mais do que o resultado final, o que define uma produção do Sapoti é a experiência. A gente se preocupa em acolher, deixar a pessoa confortável, para que o melhor dela apareça nas fotos. Nosso espaço é pensado pra isso: pra que quem chega se sinta em casa e possa simplesmente ser, é daí que nascem as imagens mais verdadeiras”, afirmou João.

Para eles, a natureza é a maior referência, a que se vê e a que se sente. Tanto a de fora, com suas cores, texturas e luzes que mudam o tempo todo, quanto a natureza humana, com suas expressões e imperfeições. Além disso, os sócios se inspiram também no cinema, arte e fotografia documental, onde a emoção vem antes da técnica.

“Antes de fotografar, a gente escuta”, afirma Chiara, ao contar sobre como funciona um dia de produção no estúdio. Segundo a fotógrafa, sempre é reservado um tempo para conhecer o cliente e conversar com calma, geralmente acompanhado de um bolinho e café. Para ela, essa etapa é essencial para entender quem está chegando, a história, o motivo do ensaio, suas referências, preferências e o que prefere evitar, buscando entender o estilo de cada cliente e o tipo de fotografia com que mais se identifica.

De acordo com Chiara, são os projetos autorais do estúdio que mantêm o olhar vivo para a fotografia. 

“Eu costumo fotografar mulheres fora do estúdio pelo menos uma vez por mês, de forma gratuita. É um jeito de se reconectar com o que realmente move a fotografia: criar, experimentar e sentir, sem pensar em resultado comercial.”

Alguns momentos marcaram a trajetória da dupla. Entre eles, o primeiro ensaio de formatura no Sapoti, em uma produção totalmente própria. O que de início deu um frio na barriga, no processo se transformou na afirmação do potencial do espaço para acolher pessoas e histórias. “Vieram cerca de 25 pessoas, e confesso que ficamos um pouco nervosos no início, porque nunca tínhamos recebido tanta gente de uma vez. Mas acabou sendo uma experiência incrível! Fizemos fotos externas e internas, tudo fluiu com leveza, e ainda rolou uma confraternização. A formanda ficou super feliz com o resultado”, contou João.

Para 2026, João e Chiara planejam expandir o espaço e as possibilidades do estúdio, com novos cenários, equipamentos e ambientes para produções diversas. Também pretendem fortalecer as imersões e workshops voltados para as mentes criativas da região. A ideia, segundo eles, é simples: manter o Sapoti como um lugar de encontro, troca e aprendizado. Um ponto de luz para quem acredita que fotografar é, antes de tudo, olhar com cuidado.

@sapoti.estudio