Medicina regenerativa no tratamento da dor

Devido ao aumento dos casos de dor crônica e o impacto crescente dessas condições na qualidade de vida da população, novas abordagens médicas têm ganhado força. Entre elas, a medicina regenerativa vem se consolidando como uma alternativa capaz de tratar a dor de forma mais profunda, indo além do simples alívio dos sintomas. No Instituto Martini Piassi, a proposta é justamente ativar a capacidade natural de cura do corpo ao invés de apenas mascarar a dor com analgésicos ou anti-inflamatórios.

Os médicos Lara Martini e Eduardo Piassi, especialistas na área e à frente do Instituto, afirmam que a abordagem regenerativa atua por múltiplos mecanismos. O primeiro é a modulação da inflamação crônica, que está na base de grande parte das dores persistentes. “Há um potente efeito anti-inflamatório dentro do nosso corpo, que não é como o dos remédios tradicionais; ele modula a inflamação crônica, que é a raiz de muitas dores persistentes”, explicou Lara.

O segundo mecanismo, considerado o mais importante, estimula a reparação e regeneração tecidual. As terapias liberam fatores de crescimento que recrutam células-tronco do próprio paciente para o local da lesão, promovendo a reconstrução de cartilagens, tendões, ligamentos e músculos. Por fim, há a neuromodulação onde o processo ajuda a regular os sinais de dor enviados ao cérebro e promove a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese), melhorando a oxigenação e a nutrição da área afetada. 

De acordo com a médica, o tipo de dor que a medicina regenerativa costuma ter melhores resultados são em dores musculoesqueléticas, que afetam uma grande parcela da população. Segundo os médicos, pacientes com osteoartrose— desgaste da cartilagem —, principalmente em joelhos, quadris e ombros, têm resposta muito positiva, pois, em muitos casos, o método consegue postergar ou até evitar a necessidade de uma prótese. 

As terapias também se destacam em tendinopatias crônicas, como “cotovelo de tenista”, lesões do manguito rotador no ombro, tendinites de Aquiles, fascite plantar e diversas dores na coluna, como as originadas pela degeneração dos discos intervertebrais vertebrais ou artrose das facetas articulares.

As terapias mais renomadas e que o Instituto Martini Piassiutiliza extensivamente são as com Células tronco sinalizadoras. Além disso, também oferecem tecnologias como Terapia por Ondas de Choque Focais e Laserterapia, que estimulam o processo de regeneração do organismo. 

Segundo o médico Eduardo Piassi, a indicação ideal para o tratamento regenerativo é para pacientes que sofrem com dores crônicas e que já não respondem bem aos tratamentos conservadores, como fisioterapia e medicamentos, mas que ainda não têm indicação ou não desejam se submeter a uma cirurgia de grande porte. 

“É uma ponte fantástica entre o tratamento clínico e o cirúrgico. Pacientes com lesões degenerativas em estágios iniciais a moderados são os que mais se beneficiam, pois conseguimos intervir antes que o dano seja irreversível”, pontuou Eduardo.

Diferente de medicações de alívio rápido, a resposta de melhora costuma ser gradual e biológica. Após o procedimento, é normal haver uma leve reação inflamatória, que faz parte do processo de regeneração tecidual e dura alguns dias. A melhora significativa da dor e da função começa a ser percebida após algumas semanas e continua progressivamente por meses, à medida que o tecido se regenera. 

“Não é um ‘conserto’ instantâneo, é uma restauração biológica. Sempre enfatizamos aos nossos pacientes que a paciência e o comprometimento com o processo são parte essencial do sucesso”, afirmou a médica Lara Martini.

Os médicos ressaltam que a medicina regenerativa é um campo baseado em evidências. Uma importante revisão publicada no Current Pain and Headache Reports (2022) analisou diversos estudos e confirmou o papel clínico dessas terapias no manejo da dor. Em 2024, o Journal of PainResearch publicou diretrizes baseadas em evidências que recomendam terapias regenerativas para dor lombar crônica e osteoartrite do joelho, classificando-as como eficazes com base em múltiplos ensaios clínicos randomizados. “Esses estudos mostram que, para a osteoartrite de joelho, por exemplo, o tratamento com PRP resulta em uma redução de mais de 50% na dor e melhora da função em mais de 70% dos pacientes após um ano”, explicou a Dra. Lara.

No Instituto, esses números se refletem em histórias reais, onde cada caso de sucesso reforça o que a ciência já demonstra. De acordo com o Dr. Eduardo, pacientes que mal caminhavam por dores no joelho ou na coluna, conseguiram retornar à prática de atividades físicas; outros que sofriam com dores incapacitantes nos ombros, recuperaram o movimento e conseguiram voltar a fazer atividades básicas como lavar a louça ou mesmo vestir um sutiã.

Como em qualquer ato médico, o sucesso depende de múltiplos fatores como a idade e a saúde geral do paciente; a gravidade e o tempo da lesão, onde lesões mais antigas ou em estágios muito avançados podem ter uma resposta mais limitada; e adesão do paciente ao protocolo de reabilitação. 

“A terapia regenerativa não é um passe de mágica, ela precisa ser combinada com um programa de fisioterapia bem estruturado para otimizar a cicatrização e o fortalecimento. Além do que chamamos de Preparo do Solo, em que o estilo de vida, a nutrição, a atividade física, um sono reparador tem impacto importante e determinante nos resultados. Em um solo pobre de nutrientes, não conseguimos boas colheitas, e assim também funciona o nosso corpo”, finalizou o médico.

@dralaramartini @dreduardopiassi