Uma pesquisa da Global Flourishing Study, desenvolvida em colaboração entre pesquisadores da Universidade Harvard e da Universidade Baylor, trouxe um dado alarmante: a Geração Z, formada por jovens adultos de 18 a 29 anos, vem sendo considerada a geração mais triste e infeliz da história, achatando o que especialistas chamam de “curva da felicidade”. O fenômeno, que antes era observado apenas na meia-idade, agora aparece já na juventude, indicando uma piora mundial no cenário de saúde mental.
De acordo com a psiquiatra Gina Prates, médica com experiência generalista e abordagem abrangente em Psiquiatria na Clínica Périssé, o contexto que levou a essa mudança é multifatorial, mas tem forte ligação com as redes sociais.
“Os principais fatores de infelicidade e tristeza da Geração Z hoje são as exposições e comparações nas redes sociais, que se intensificaram durante a pandemia. Pais e responsáveis liberaram mais o acesso a esses meios de comunicação, que ganharam força, alimentados por influenciadores com pouca idade ou sem responsabilidade educacional e de saúde mental. Esses influenciadores mostram prosperidade sem muito sacrifício, trazendo de forma precoce a pressão por beleza estética, sucesso e realização imediata, deixando esses jovens sem significado e propósito na vida”, explicou.
O uso intensivo das redes sociais também aumenta os riscos de ansiedade, depressão, distúrbios do sono, baixa autoestima e isolamento social, além de facilitar o cyberbullying. O excesso de estímulos digitais, a pressão por conexão e comparação social contribuem para a sobrecarga emocional dessa geração.
Os efeitos aparecem no dia a dia clínico através dos transtornos mais comuns entre os jovens da Geração Z, o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e a Depressão, que se manifestam com sentimentos como nervosismo, tristeza, apatia, desesperança, cansaço, frustração, irritabilidade, dificuldade para dormir, visão de futuro incerta e desconexão com a realidade. “Esses quadros são exacerbados por fatores como questões familiares, pobreza, desigualdades sociais, a pressão do mercado de trabalho, a insegurança financeira e profissional, e a constante sobrecarga de informações das redes sociais”, pontuou a psiquiatra.
Apesar do cenário desafiador, há caminhos para enfrentar essas questões. A médica recomenda a prática regular de exercícios físicos, alimentação saudável, bons hábitos de sono, meditação, yoga, contato com a natureza e o fortalecimento de relacionamentos positivos. “É importante também limitar a exposição a notícias negativas e evitar o uso de substâncias nocivas, como álcool e drogas, que interferem no equilíbrio mental”, orientou. O acompanhamento profissional é outro ponto fundamental, pois a psiquiatria auxilia no tratamento da saúde mental por meio de uma abordagem multidisciplinar, combinando a prescrição de medicamentos, acompanhamento contínuo e cuidado humanizado, devolvendo a qualidade de vida ao paciente.
Um aspecto que pode representar um ponto de virada é a maior abertura da Geração Z para falar sobre saúde mental. “Essa geração é comprovadamente mais aberta a discutir e abordar a saúde mental do que gerações anteriores, o que é crucial para o futuro, promovendo um ambiente mais acolhedor, aumentando a procura por tratamento especializado e ajudando a quebrar estigmas sociais. Essa maior conscientização pode levar a uma melhor saúde mental coletiva, exigindo que instituições de ensino, empresas e sistemas de saúde adotem abordagens mais centradas no bem-estar dos jovens e que haja maior acesso a tratamentos adequados”, conclui a psiquiatra Gina.
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