Nada substitui o trabalho

A Revista Fever bateu um papo descontraído com Ricardo Peixoto, empresário, cabeleireiro e gestor das empresas New Richard e BarberShop, que desde 1984 cuida, encanta e fideliza gerações.

Com uma estrutura de cinco andares dedicados aos mais modernos tratamentos estéticos e uma equipe de mais de 100 profissionais em constante aperfeiçoamento, o salão é um ícone e referência em beleza na cidade de Campos e região.

A história de Ricardo é a narrativa de alguém que acreditou no próprio potencial, ousou crescer com planejamento e humildade, e que viu a profissão como um propósito de vida. Mais do que um espaço bonito, Ricardo construiu um legado, e faz isso junto à família. Ao lado da filha Nathália Peixoto, sócia-proprietária, e sua esposa Luciene Peixoto, diretora executiva, ele prova que é possível trabalhar com a família sem deixar que os laços afetivos se confundam com a rotina profissional.

Esse sucesso se reflete também na visão de trazer novidades exclusivas, sendo o primeiro salão da região a dedicar um espaço exclusivo ao atendimento de noivas, com o clássico “Dia da Noiva”, e também a abrir uma BarberShop no estilo retrô, oferecendo cuidados da cabeça aos pés para os homens.

Sempre à frente do seu tempo, o responsável pelas empresas New Richard BarberShop é exemplo de uma trajetória de sucesso. Conversamos com Ricardo Peixoto sobre vida pessoal, profissional e os desafios de dividir a gestão de suas empresas com a família.

Nesta entrevista, Ricardo revisita sua trajetória, compartilha aprendizados, mostra seu lado mais família e revela como sua paixão pelo ofício permanece intacta, mesmo após mais de 40 anos de atuação.

Fever – Você começou a trabalhar muito novo. O que te motivou a seguir esse caminho na área da beleza?

Ricardo – Foi uma sugestão feita pela minha mãe quando eu tinha por volta dos meus 16 anos, mas eu fiquei muito em dúvida de fazer por questões de preconceito. Na época, existia muito preconceito com isso e meus primos, que moravam perto de mim, poderiam pegar no meu pé. Então, com esse receio, acabei não aceitando fazer o curso e me mudei para São Paulo, porque minha irmã morava lá. Consegui meu primeiro emprego em um banco, como office boy. Nesse período, eu visitei o Senac na cidade, para ver o curso de cabeleireiro, iniciei o curso lá e terminei aqui em Campos. O mundo da beleza me chamou a atenção por ser dinâmico, criativo e ter um contato direto com as pessoas. Sempre admirei esse universo.

Fever – Você começou trabalhando para outras pessoas ou desde sempre teve o seu negócio? E como foi o processo?

Ricardo – Desde que iniciei no ramo de cabeleireiro, aos 17 anos, eu já tive meu próprio negócio. Eu abri um salão pequeno no bairro Calabouço, e trabalhei nele sozinho por dois anos. Depois fechei esse primeiro e abri outro maior na Saló Brand, já montando uma equipe. Posteriormente, abri em frente à faculdade de Direito, na Formosa. Nesse espaço foi onde eu consegui comprar o meu primeiro carro, zero. Mas não fiquei muito tempo naquele espaço porque apareceu uma oportunidade feita por um cliente amigo, que era um corretor, de um espaço na rua Marechal Deodoro, Antiga Rua do Príncipe. Vendi meu carro, comprei a casa, demoli e fui construindo o prédio que atualmente fica o New Richard, com 5 andares.

Fever – Como você percebeu que o New Richard cresceu e se tornou o que é hoje? Foi gradual ou teve um salto?

Ricardo – Eu fui crescendo de forma gradual, mas acredito que tive um salto quando aconteceu o boom de Macaé. Nesse período, abri duas filiais na cidade e foi a mesma história, comprei uma casa, demoli e fiz um salão lindo de três andares em uma, e outro salão menor em outro espaço, e fiquei por dez anos. Porém, percebi que era muito desgastante administrar duas empresas grandes e uma pequena, com equipes grandes, em cidades diferentes. Quando eu estava por lá o atendimento era um, quando saía, a forma de atender mudava e não conseguiam manter o padrão, isso me incomodou. Achei melhor fechar o espaço em Macaé e concentrar apenas em Campos. Hoje atendo clientes, quase todo dia, de Macaé, Vitória, Rio das Ostras, Rio de Janeiro, até de fora do país, justamente por conhecer o trabalho do New Richard e confiar.

Fever – Quais foram os maiores desafios do início da sua carreira como cabeleireiro e empresário?

Ricardo – Formar equipe, formar mesmo um profissional. Eu sempre gostei de formar profissionais. Pegar eles do zero e eles vão aprendendo a escovar cabelo, a cortar, realizar tratamentos, entre outros. O profissional que inicia como auxiliar, tempos depois já corta e já anda sozinho.

Fever – O New Richard se tornou referência em Campos e região. A que você atribui esse sucesso?

Ricardo – Atribuo à dedicação em manter a qualidade do serviço e à busca constante por inovação. Sempre investi muito na formação da equipe, participei de feiras nacionais e internacionais como a Hair Brasil, Beauty Fair, Hair & Beauty, além de concursos mundiais como o Trend Vision Award, realizado pela Wella e o Colour Trophy, realizado pela L’oréal e trouxe tendências para dentro do salão. Mas, principalmente, acredito que o diferencial está no atendimento humanizado. Criamos vínculos com os clientes, entendemos suas histórias e oferecemos um cuidado que vai além da estética.

Fever – Qual é o segredo de liderar uma equipe com cerca de 100 profissionais e manter o padrão de excelência em todos os setores?

Ricardo – O segredo está na organização, no treinamento contínuo e em uma comunicação clara. Valorizamos a troca, o feedback e a escuta ativa. Todos têm espaço para crescer aqui dentro e eu incentivo muito a minha equipe a buscar aprimoramento. Eles chegam com o curso que desejam fazer e nós ajudamos inteirando todo o valor ou dependendo, metade, porque isso é ótimo para ambos os lados, tanto para o profissional quanto para o salão. Além disso, delegar com confiança é essencial e os gestores me ajudam a manter tudo em ordem.

Fever – Qual é a receita da fidelização do público ao seu salão e aos serviços que você e sua equipe oferecem?

Ricardo – O bom atendimento e trabalho. De estar se atualizando todo dia com cursos, porque tudo está sempre em constante mudança. Às vezes, uma posição que eu pego diferente em um cabelo dá um outro resultado, e isso eu aprendo estudando e me mantendo atualizado das tendências. Uma vez, vi uma frase de um livro pela internet que dizia que o cliente só muda (de salão) quando ele percebe ser indiferente. A gente fica arrumando argumentos para entender o motivo que os clientes mudaram como “foi o preço”, mas não é. É quando ele vira indiferente para aquela empresa. Por isso, sempre faço questão de manter o nosso padrão, atendendo como se fosse a primeira vez, tratando com todo cuidado e atenção. Quando o cliente percebe esse cuidado, ele volta e também recomenda.

Fever – Hoje, sua filha Nathália é sua sócia. Como é dividir a gestão do salão com alguém da família?

Ricardo – É uma experiência incrível. Ela tem visão de negócio e traz ideias jovens que agregam demais ao salão. Um exemplo é a BarberShop, onde ela trouxe as ideias e inspirações de uma estética vintage e retrô para trabalharmos, e durante quatro anos “gestamos” o projeto e colocamos na prática em 2011. Hoje, a barbearia tem 14 anos e temos um público masculino fiel. Trabalhar em família pode ser difícil para alguns, mas aqui conseguimos separar muito bem o profissional do pessoal. No trabalho, somos sócios e nos tratamos como profissionais. Em casa, voltamos a ser pai e filha. Essa separação é fundamental para o equilíbrio.

Fever – Você acredita que existe um preconceito quando uma empresa é gerida por familiares?

Ricardo – Sim, acredito que muitas pessoas enxergam a gestão familiar como algo amador ou desorganizado, mas isso não é uma regra. Aqui no salão mostramos o contrário, é possível ter uma gestão familiar sólida, profissional e eficiente. O segredo está na maturidade emocional e na clareza dos papéis, em separar o que é do trabalho para ficar lá no trabalho e o que é de casa, de família, se não acaba desgastando. Todos aqui sabem suas funções, respeitam a hierarquia e trabalham com profissionalismo, independentemente do vínculo pessoal.

Fever – O salão foi pioneiro ao criar um espaço dedicado ao Dia da Noiva. Como surgiu essa ideia e como evoluiu ao longo do tempo?

Ricardo – Sempre acreditei que o casamento é um dos momentos mais marcantes da vida de uma mulher. Pensando nisso, quis criar um espaço exclusivo para que a noiva se sentisse especial do início ao fim. Fomos o primeiro salão a implementar esse conceito aqui na região. Hoje, esse espaço evoluiu e recentemente, realizamos uma grande reforma em um andar exclusivo para atender noivas, debutantes e formandas. São salas personalizadas, com ambientação especial, conforto e privacidade. O espaço é lindo, instagramável, e transmite exatamente a experiência que queremos proporcionar.

Fever – O salão já recebeu prêmios importantes. O que esses reconhecimentos representam para você?

Ricardo – Sim, nós já recebemos o Prêmio Master de Qualidade pelo qual o New Richard foi reconhecido como o melhor salão de beleza do interior, numa avaliação entre os melhores salões do país, além do certificado do Instituto Compacto de Publicidade e Pesquisa pela sua excelência na qualidade. Acho um reconhecimento muito bom, fica no coração por ver meu trabalho sendo reconhecido, mas não sou um cara vaidoso e que me prendo à premiações. Independentemente de prêmios, continuarei amando minha profissão e cuidando das pessoas com maestria.

Fever – São mais de quatro décadas no mercado, o que ainda te motiva a continuar nesse ramo?

Ricardo – O que me motiva é o amor pela profissão, eu me sinto bem em estar no salão atendendo os clientes. Tenho amor em cuidar, encantar e fidelizar gerações. Muitas vezes atendo gerações de famílias justamente por saberem e se sentirem bem cuidados e satisfeitos com os resultados que entrego com tanto carinho e paixão.

Fever – Agora, um Ricardo que ninguém conhece. Duas filhas, um neto, como é a relação?

Ricardo – Eu amo minhas filhas, acho tudo perfeito. Mas agora com o meu neto, eu tenho um amor diferente. Se ele quer viajar, eu fecho minha agenda e vou viajar. Um evento na escola dele, fecho minha agenda e vou. Mesmo com apenas sete aninhos, ele vem me ensinando e ajudando a mudar meu estilo de vida, com ele eu aprendi a jogar futebol e comprei até uma chuteira, aprendi a jogar Fifa no videogame. Cuido mais da minha saúde porque quero acompanhar ele crescer. Quando minhas filhas eram pequenas, eu trabalhava muito e quase não via as duas, quando saía estavam dormindo e quando eu chegava, também já estavam dormindo. Aí, depois de um certo tempo, fiz questão de deixar elas no colégio, para ter uma rotina e ter um tempo com elas. Então, quando eu espantei, elas estavam adultas. Hoje, eu busco aproveitar o tempo e ter mais qualidade de vida tanto com elas quanto com meu netinho.

Fever – Você tem hobbies?

Ricardo – Sim, atualmente eu treino todo dia intercalando Crossfit com Personal Fight. Além disso, tenho uma alimentação mais saudável, não só porque quero acompanhar meu neto crescer, mas também para ter mais vitalidade e envelhecer bem. Eu sou um cara do dia, acordo às quatro e meia da manhã, tomo meu café tranquilo, estudo e me preparo para malhar. São coisas que caíram no meu gosto e por treinar com pessoas de confiança, isso acaba me incentivando ainda mais.

@newrichardcampos