Burnout além do trabalho

O Burnout costuma ser tradicionalmente associado ao ambiente de trabalho, mas a síndrome também pode atingir qualquer pessoa exposta a longos períodos de sobrecarga e cobrança, mesmo sem um vínculo empregatício. Para a psiquiatra Águina Pimentel, mães, cuidadores familiares, estudantes, profissionais autônomos e pessoas que estão enfrentando pressões pessoais intensas também estão entre os perfis mais vulneráveis a esse colapso mental e físico acumulado.

“A síndrome de burnout é causada por estresse crônico e sobrecarga emocional. O que está em jogo não é o tipo de ocupação, mas o desgaste mental e emocional acumulado”, explicou a psiquiatra Águina, com 10 anos de atuação na área.

Para além dos escritórios e plantões, há pessoas que gerenciam a casa, cuidam dos filhos, planejam o cardápio da semana, ajudam com as tarefas escolares e ainda precisam lidar com as próprias pressões pessoais. “Existe uma sobrecarga invisível e uma cobrança cultural por perfeição e disponibilidade o tempo inteiro”, destacou a médica. E, no caso dos estudantes, a cobrança é por excelência em tirar notas altas, passar no vestibular e definir um futuro promissor ainda na adolescência.

O impacto do burnout é profundo e os sintomas mais comuns são cansaço físico e mental intenso (que não melhora com descanso), alterações de humor como irritabilidade e tristeza profunda, distanciamento emocional, sensação de ineficiência, perda de memória, crises de choro, alterações de sono, apetite e até dores físicas. “O corpo entra em modo de sobrevivência. Isso consome energia, desregula tudo e, muitas vezes, abre espaço para quadros como ansiedade e depressão”, explicou Águina.

Além disso, como não estão inseridos em um modelo clássico de “trabalho”, muitas vezes não percebem que estão em exaustão. A sociedade tende a normalizar esse tipo de sobrecarga nesses contextos, o que torna mais difícil identificar e validar a síndrome de burnout nessas situações.

 Águina também alerta que o burnout não é frescura e nem falta de força de vontade. “É um sinal claro de que o corpo e a mente precisam de descanso, cuidado e acolhimento. E quem está passando por isso merece apoio, independentemente da sua rotina ou ocupação. O mais importante é reconhecer os limites e buscar ajuda especializada. Tentar continuar no automático pode agravar ainda mais o quadro.”

A psiquiatria tem papel fundamental no cuidado de quem está em colapso por Burnout. O profissional pode avaliar a gravidade do quadro, prescrever medicações quando necessário e trabalhar em conjunto com psicólogos no processo de recuperação e reconstrução do equilíbrio emocional.

Na prevenção, o segredo está em aprender a escutar o próprio corpo e entender os limites dele. Práticas de autocuidado, descanso adequado, lazer, atividade física e apoio emocional são essenciais. “Cuidar de si também é prioridade. E quem cuida dos outros, precisa e merece ser cuidado também”, finalizou.

@aguinapimentel