Um novo olhar sobre saúde e longevidade

Com os avanços da ciência e a crescente demanda por um atendimento mais humanizado e individualizado, a Medicina Integrativa e Regenerativa tem ganhado espaço na área da saúde. Essas abordagens vão além da lógica tradicional de tratar doenças isoladas e se voltam na busca pelas causas profundas dos desequilíbrios do corpo, promovendo não apenas a melhora, mas também a prevenção, o bem-estar e a longevidade com qualidade de vida.

A médica Martha Verônica Câmara Barbosa, de 51 anos, é um dos nomes que vem se destacando nesse campo. Formada pela Faculdade de Medicina de Campos em 1997, com especialização em Otorrinolaringologia, Martha decidiu trilhar um novo caminho profissional ao se aprofundar em práticas que tratam o ser humano de maneira completa. Professora de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Campos desde 2010, a médica carrega um rico currículo de formação sendo pós-graduada em Medicina Integrativa e Medicina do Trabalho; Docência do Ensino Superior; mestrado e doutorado na área da saúde. Além de, atualmente, cursar a pós de Medicina Regenerativa e a de Endocrinologia Clínica. 

Para Martha, essa mudança de rota não foi apenas uma escolha técnica, mas um chamado pessoal. Tudo começou com o seu pai, que ficou com graves sequelas após contrair Chikungunya e passou a ter dificuldades para realizar tarefas simples, como vestir uma camisa. Ao adotar estratégias das práticas integrativas, ele apresentou uma melhora expressiva e hoje, aos 80 anos, tem uma melhor qualidade de vida. Pouco tempo depois, a própria médica enfrentou um episódio de adoecimento, e foi ao aplicar em si mesma os princípios que estudava, que experimentou o poder dessa nova forma de tratamento. 

Mais do que combater sintomas, o tratamento busca compreender as origens dos desequilíbrios. Isso significa investigar, por exemplo, como a rotina, a alimentação, o sono e até as emoções impactam diretamente na forma como o corpo adoece e pode se regenerar. O organismo funciona como uma rede viva em que cada parte influencia a outra. Assim, uma inflamação crônica, um desequilíbrio hormonal ou um trauma emocional não devem ser tratados isoladamente, mas como peças de um mesmo quebra-cabeça.

“A natureza do corpo humano também trabalha por networking, através da matriz extracelular. Assim, um problema num dente pode causar uma infecção como uma sinusite ou uma doença no pulmão, por exemplo. Essa matriz conecta todos os nossos sistemas e, por conseguinte, seus órgãos e células, de modo que somos o todo!”

Um dos principais pontos do tratamento é respeitar o ritmo natural do corpo, alinhando ao ciclo circadiano, a alternância entre dia e noite que regula, entre outras coisas, a produção hormonal, o funcionamento do metabolismo e o equilíbrio emocional. Quando esse ritmo é interrompido, seja por noites mal dormidas, estresse constante ou alimentação pobre em nutrientes, os efeitos são imediatos e cumulativos: cansaço persistente, queda de imunidade, distúrbios de humor, ganho de peso e envelhecimento precoce são apenas alguns deles.

Nesse cenário, a regeneração não acontece apenas em nível celular, embora técnicas como a reposição hormonal, o uso de vitaminas específicas e a ativação de processos naturais do organismo contribuam para isso, mas também no resgate da vitalidade e da conexão consigo mesmo. Trata-se de um processo ativo de autocuidado, que envolve tanto intervenções médicas quanto mudanças de hábitos e de mentalidade. 

A médica defende que autoconhecimento é o primeiro passo para qualquer processo de cura. “Entender quem você é, quais são seus limites, suas dores, suas necessidades. Cuidar das suas emoções, da sua alimentação, praticando alguma atividade que coloque seu corpo em movimento, e do seu sono, buscando auxílio médico se algo não está bem, acredito ser um bom caminho. Além disso, não se acostumar com o que não é normal, não ‘normalizando’ o cansaço, a falta de vontade, a falha da memória, a falta de libido, o mal estar, as noites mal dormidas, a tristeza, os resfriados recorrentes, a dor de cabeça.”, afirmou. 

Embora não seja ainda reconhecida como uma especialidade médica no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a medicina com foco integrativo é praticada em outras regiões, principalmente nos Estados Unidos e em alguns países da Europa e Ásia. Instituições renomadas como Harvard e Yale já integraram seus fundamentos em centros especializados e programas acadêmicos. No Brasil, sua presença ainda é pequena, mas cresce à medida que pacientes e profissionais buscam abordagens complementares à medicina convencional, com foco no bem-estar integral e na humanização do cuidado. 

Na prática, os resultados apresentam melhora da disposição, controle de doenças crônicas, reversão de quadros inflamatórios e neurodegenerativos, e o retorno do paciente à sua autonomia e bem-estar. “A gente não está falando só de viver mais, mas de viver bem”, pontuou Martha.

Entre as recomendações que ela oferece a seus pacientes, e que valem para qualquer pessoa que queira começar esse caminho, estão cuidados simples, mas necessários que são respeitar o sono, praticar atividades físicas, comer alimentos naturais, prestar atenção às emoções e não ignorar sinais persistentes do corpo, como fadiga, dores frequentes ou alterações de humor. “Não podemos normalizar o que nos adoece. Envelhecemos porque nossos hormônios caem e não o contrário. Há caminhos para reverter perdas, recuperar energia e desfrutar a vida em sua potência máxima”, defendeu.