Vermelhidão, ardência e a incômoda sensação de areia nos olhos podem ser mais do que simples irritação, são sinais da síndrome do olho seco, uma doença oftalmológica crônica que, se não tratada, pode causar danos permanentes à visão. A condição, que se tornou mais comum com o uso excessivo de telas e ambientes climatizados, é explicada pela oftalmologista Tatiana Aquino, que alerta para os riscos e aponta as formas de diagnóstico, tratamento e prevenção.
Segundo a médica, a síndrome do olho seco é uma condição multifatorial, com causas tanto externas quanto internas. Fatores como o envelhecimento, a menopausa, doenças reumatológicas, cirurgias oculares e disfunções nas pálpebras, como blefarite e meibomite, estão entre os gatilhos mais comuns. Já entre os fatores extrínsecos, destacam-se o uso prolongado de telas, o ar-condicionado e o consumo de determinados medicamentos, como antidepressivos, anti-histamínicos, betabloqueadores e isotretinoína.
Os sintomas vão além do simples ressecamento, podendo incluir dor ou desconforto ocular, lacrimejamento excessivo, visão embaçada, vermelhidão, fotofobia e sensação de corpo estranho nos olhos. “Em casos mais graves, pode haver lesões na córnea, que variam de uma leve infl amação até a perfuração, levando à perda permanente da visão”, alertou Tatiana Aquino.
O diagnóstico deve ser feito por um oftalmologista, que pode diferenciar essa condição de outras doenças oculares com sintomas semelhantes. “O exame clínico é fundamental para identificar a causa específica e defi nir o melhor tratamento para cada paciente”, explicou a especialista.
Os tratamentos variam conforme a gravidade. Podem incluir colírios e pomadas lubrificantes, uso de plug lacrimal e, em casos mais complexos, a aplicação da terapia com luz pulsada. “Esse é um tratamento moderno, indolor e não invasivo que melhora a qualidade da lágrima, reduz a vermelhidão e protege a córnea”, afirmou Tatiana. São indicadas de três a quatro sessões iniciais, com manutenção anual, e os efeitos colaterais são raros, podendo incluir pequenas queimaduras ou alterações na pigmentação da pele próxima aos olhos.
Além dos tratamentos clínicos, a médica ressalta a importância dos cuidados diários para aliviar os sintomas e prevenir o agravamento do quadro. Isso inclui piscar com mais frequência, evitar ambientes muito secos ou com fumaça, usar óculos escuros, fazer pausas durante o uso de telas, usar colírios lubrifi cantes, realizar compressas mornas e manter a higiene adequada das pálpebras. Se hidratar bastante é uma recomendação básica para quem sofre com o problema.
A alimentação também tem papel importante. Alimentos ricos em ômega 3, 6 e 9, como peixes e linhaça, ajudam na produção de uma lágrima de melhor qualidade. Vitaminas A, C e E também contribuem para a saúde ocular e podem ser consumidas por meio da alimentação ou de suplementos, quando necessário.
Embora não haja cura definitiva para a síndrome do olho seco, Tatiana Aquino reforça que é possível controlar os sintomas e garantir qualidade de vida.





