
Interromper o uso de antidepressivos e ansiolíticos por conta própria pode gerar consequências sérias para a saúde física e emocional do indivíduo. O alerta é da psiquiatra Águina Pimentel, que explica que os efeitos da suspensão abrupta desses medicamentos podem causar a síndrome de descontinuação, caracterizada por sintomas físicos e psicológicos desconfortáveis e pelo aumento no risco de recaída.
“Parar de forma repentina esses medicamentos pode causar, em alguns casos, crise de ansiedade intensa, episódios depressivos agudos e até risco de comportamento autodestrutivo”, explicou a psiquiatra Águina.

Muitos interrompem por acreditarem estar “curados” após melhora dos sintomas, por medo de dependência, por efeitos colaterais ou por questões de custo e acesso. Há também quem acredite que o tratamento “não funciona mais”, quando, na verdade, pode ser necessário ajuste de dose ou troca de medicação.
De acordo com Águina, há estudos que mostram que essa interrupção repentina eleva significativamente o risco de recaída ou retorno do quadro original, especialmente nos primeiros meses após parar. O cérebro precisa de tempo para se adaptar à ausência da medicação.
Além da piora emocional, podem surgir sintomas físicos como tontura e vertigem; náusea e vômito; dor de cabeça; sensação de choques elétricos na cabeça, chamados de “brain zaps”; alterações no sono; sudorese e palpitações. Esses sintomas não indicam dependência, mas sim a adaptação química do organismo.
Em muitos casos, um único dia sem tomar pode causar sintomas leves, como irritabilidade, ansiedade, insônia ou desconforto físico. Isso varia conforme o tipo de medicamento, dose e sensibilidade individual. Faltas repetidas aumentam o risco de descompensação.
As consequências de interromper o uso variam entre diferentes prazos e sintomas como:
Curto prazo: sintomas de abstinência e instabilidade emocional.
Médio prazo: maior risco de recaídas e de retorno de sintomas mais intensos.
Longo prazo: episódios repetidos podem tornar o tratamento futuro mais difícil, com necessidade de doses maiores ou combinações de medicamentos.
Antidepressivos e ansiolíticos atuam no cérebro regulando neurotransmissores, como serotonina, noradrenalina e GABA, que influenciam o humor, a ansiedade e o equilíbrio emocional do paciente. Os remédios não “mudam” a personalidade, mas ajudam o cérebro a funcionar de forma mais estável.
“O desmame seguro deve ser gradual e supervisionado por um médico psiquiatra, preservando os resultados do tratamento. A dose é reduzida aos poucos, permitindo que o cérebro se ajuste. Em alguns casos, a redução é acompanhada de ajustes de estilo de vida e psicoterapia para prevenir recaídas”, explicou Águina.
@dra.aguinapimentel




