Hormônios em ordem

No universo da medicina integrativa, entender a ordem de importância entre os hormônios é fundamental para garantir a eficácia da reposição hormonal, tratamento cada vez mais adotado por quem busca mais saúde e equilíbrio. A médica Martha Verônica Barbosa, especializada na área, explica que respeitar essa hierarquia evita efeitos colaterais e potencializa os resultados clínicos.


“Existe sim uma hierarquia hormonal onde a ordem dos fatores altera o produto. A ordem correta do tratamento é decisiva para o sucesso e para evitar os efeitos colaterais, principalmente quando falamos de insuficiências hormonais”, pontuou Martha.

Imagine uma pirâmide onde na base ficam os hormônios que primeiro devem ser suplementados quando em baixa, que são a melatonina, hormônio D (vitamina D), cortisol, hormônios da tireoide (T3 e T4) e, em alguns casos, o DHEA (desidroepiandrosterona). A suplementação dessa primeira fase costuma durar cerca de 90 dias.

Se a primeira etapa da suplementação com os hormônios da base não forem suficientes para estimular a produção e ativar os receptores e os níveis continuarem baixos, o tratamento avança para o segundo nível da pirâmide, com foco nos hormônios sexuais, como progesterona, estrogênio e testosterona nos próximos 90 dias subsequentes. A terceira e última etapa é reservada aos chamados hormônios especiais, como hormônio do crescimento (GH), pregnenolona e ocitocina, e só é indicada quando há necessidade clínica.

Para Martha, um erro comum é iniciar o tratamento pelos hormônios sexuais sem antes avaliar os da base. 

“Já atendi pacientes que repuseram progesterona e testosterona sem resultados. Ao investigar, encontramos baixos níveis de cortisol e hormônio D. Sem corrigir a base, os receptores hormonais não são ativados e o hormônio suplementado não funciona como deveria”, explicou.

Ela destaca que não basta a presença do hormônio circulando no sangue, é preciso que existam receptores ativados para que a ação ocorra. “É como uma chave que precisa encontrar a fechadura certa. Ele precisa encontrar um receptor ativo, que o receba, para então sua função ser ativada e acontecer a resposta a nível celular referente a determinado hormônio.”

O diagnóstico é feito a partir de uma anamnese completa, com escuta ativa e avaliação dos sintomas. Exames de sangue ajudam a confirmar e acompanhar o tratamento, mas não substituem a análise clínica. “Uma mulher com insônia na perimenopausa pode estar com deficiência de progesterona. Já alguém com intolerância ao frio e queda de cabelo pode ter disfunção na tireoide. A clínica é sempre soberana. Os exames de sangue ajudam, mas nunca substituem uma boa anamnese”, afirmou.

Segundo a médica, seguir a hierarquia é obrigatório em qualquer reposição hormonal bem-sucedida pois quando a base está equilibrada, muitas vezes os outros hormônios voltam a funcionar sem precisar de reposição. Esse cuidado faz toda a diferença na resposta do paciente.


@dra.marthabarbosa