O lipedema é uma doença inflamatória crônica, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, especialmente em braços, coxas e pernas, acompanhada de dor, sensibilidade ao toque e sensação de peso. Apesar de ainda não ter cura, a boa notícia é que ele pode ser controlado e a fisioterapia tem um papel fundamental nesse processo.
Segundo a fisioterapeuta Flávia Miranda, o tratamento conservador com fisioterapia pode oferecer alívio significativo. No entanto, é importante entender que não se trata de uma solução rápida. “Os sintomas melhoram, mas isso não significa que o tratamento deva ser interrompido. Os resultados já começam no primeiro mês de tratamento, e são potencializados com a dieta e acompanhamento com a equipe multidisciplinar”, explicou. O tempo e a resposta ao tratamento variam de acordo com o grau do lipedema, o tipo e a adesão do paciente às orientações da equipe multidisciplinar.
Entre as técnicas eficazes estão recursos modernos como fotobiomodulação com LED e ILIB, microcorrentes, compressão pneumática e plataforma vibratória, que são selecionadas conforme avaliação individual. Ao contrário do que se divulga com frequência, a drenagem linfática isolada não é suficiente para tratar o lipedema.
A fisioterapia também acompanha o paciente em diferentes fases: seja no tratamento conservador, na preparação para a cirurgia, durante o procedimento intraoperatório e no pós-operatório. “A gente está com o paciente o tempo inteiro. Se ele optar por não operar, terá uma ótima resposta com o conservador. Se decidir pela cirurgia, o fisioterapeuta estará presente em todas as etapas”, reforçou Flávia.
Outro ponto importante é o autocuidado. A fisioterapeuta destaca que os pacientes recebem orientações e até um “kit” com ferramentas para cuidar de si em casa, algo que tem trazido excelentes resultados. Além disso, a prática de atividades físicas adaptadas é muito bem vinda, desde que respeite os limites e evite inflamações.
Adriana Helena Azevedo, médica e paciente, de 54 anos, está em tratamento desde janeiro e já sente os impactos positivos da fisioterapia em sua vida. “A fisioterapia para tratamento adjuvante de lipedema é muito importante e fez uma diferença enorme na minha vida. É claro que só a fisioterapia não é suficiente e o resultado também não é rápido, isso é uma questão de constância. A atividade física e a dieta também são os pilares para o tratamento. Eu comecei a dieta em janeiro e de lá para cá posso dizer que me sinto outra pessoa”, contou.
Por ser uma condição crônica e progressiva, o sucesso do tratamento depende de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo médico angiologista, nutricionista, educador físico, fisioterapeuta e, em muitos casos, um psicólogo. “A gente consegue deixar esse paciente assintomático, com qualidade de vida e controle da doença”, concluiu.





