Equilibrar a rotina de uma profissão exigente como a medicina com a vida pessoal é um desafio que a oftalmologista Tatiana Aquino conhece bem. Com quase 25 anos de carreira, sendo mais de duas décadas atuando em plantões de emergência, ela aprendeu ao longo do tempo a se dividir entre a médica, a mulher, a mãe e a amiga, mas sem abrir mão da sensibilidade e do afeto em nenhuma dessas versões de si.
Em conversa com a Revista Fever, Tatiana compartilhou sobre como busca conciliar sua rotina profissional com a pessoal, a importância do apoio das amigas e família, além do autocuidado que tem com ela mesma.
A profissional contou que, desde o início da profissão, foi preciso lidar com a ausência em momentos importantes ao lado da família e amigos. Compromissos profissionais como congressos, cursos e plantões acabaram se sobrepondo a datas comemorativas, feriados e encontros, algo que, apesar de doloroso, tornou-se parte da jornada.
“Fui plantonista em hospital de emergência durante mais de 23 anos e passei muitos momentos importantes como Natal, Ano Novo e outras datas comemorativas longe da família. Infelizmente, com o tempo, a gente acaba se acostumando, mas sempre ficava muito triste quando isso acontecia. Só que não tinha o que fazer, então era se programar e ir”, relembrou.
Para lidar com isso, ela criou estratégias de organização e, acima de tudo, uma separação consciente dos papéis que exerce, dividindo o dia em períodos em que se dedica 100% a cada atividade. “Quando estou no trabalho, deixo os problemas pessoais do lado de fora. E, fora do trabalho, faço o mesmo com as questões profissionais”, afirmou.
Fever – Como as relações de afeto e amizade são importantes dentro e fora da profissão?
Tatiana – O ser humano precisa de afeto, de amor, de carinho. A família é o grande segredo do equilíbrio pessoal e profissional. Se temos uma boa base de apoio, tanto familiar quanto de amigos, a vida fica mais leve ao dividir tanto os bons quanto os maus momentos.
Fever – Além da organização do tempo, você utiliza alguma técnica, terapia ou outro recurso para manter o equilíbrio?
Tatiana – A melhor maneira de manter meu equilíbrio físico e mental é com atividade física, que faço diariamente. Tenho também minha religião, que me dá um porto seguro muito grande para manter o equilíbrio em situações especiais.
Fever – O que você leva da sua vida pessoal que te ajuda a ser uma médica melhor e vice-versa?
Tatiana – Acho que o amor ao próximo deve ser o essencial. Tanto na vida profissional quanto pessoal tento sempre ver cada paciente como um membro da família, com carinho e cuidado, e tento sempre ser uma pessoa melhor.
Fever – Tem alguém ou alguma situação específica que você sempre se lembra quando pensa na sua rede de apoio?
Tatiana – Sim, tenho várias amigas, e em cada situação lembro de uma delas. Cada uma tem seu lugar especial na minha vida. Falo que nossa vida é como uma novela, e cada capítulo tem uma protagonista. Minhas amigas se encaixam nessa novela, onde cada uma me ajuda de uma maneira diferente em cada capítulo da vida.
Fever – Com o passar dos anos, o que mudou na sua forma de enxergar o trabalho, a vida e os relacionamentos?
Tatiana – A idade faz a gente olhar diferente para as situações do dia a dia, até porque o mundo muda constantemente. Vou fazer 25 anos de formada e, de lá para cá, muitas coisas mudaram: as pessoas mudaram o jeito de ver o mundo, as novas tecnologias na minha área, a oftalmologia, a vida e os relacionamentos. A gente muda e nossos pensamentos também mudam. Não sou a mesma de ontem, e amanhã não serei a mesma de hoje.
Fever – O que você diria hoje para a Tatiana que estava começando a medicina?
Tatiana – Faça exatamente tudo igual. Não tenha medo, não se assuste com os obstáculos, que tudo dará certo.
@tatianaaquino.oftalmo





