Em meio à agitação da cidade, há um lugar onde o tempo parece correr diferente. No Studio Malum, a pressa dá lugar ao toque calmo das mãos na argila e o silêncio ganha som nos movimentos suaves de uma peça sendo moldada. É nesse ritmo que a ceramista e designer Maria Luiza Gomes Moço Araújo, de 29 anos, conduz seu trabalho desde 2018, quando fundou o estúdio em Campos dos Goytacazes.
A história do Malum começou com tintas e pincéis, quando Maria Luiza vendia suas pinturas para pessoas próximas, mas foi após se encantar pelo universo da cerâmica artesanal que sentiu sua arte ganhar uma nova dimensão e sentido.


“A cerâmica entrou na minha vida num momento difícil, foi como um respiro. Eu precisava de um lugar pra ser mais eu mesma, mais presente, e foi na argila que encontrei isso”, contou.
Desde então, suas criações deixaram o papel e passaram a ganhar forma nas mãos. No ateliê, ela produz peças utilitárias como canecas, pratos e bowls, além de vasos e itens autorais que carregam traços únicos. Todo o processo é manual e feito com muita paciência, desde a modelagem até a esmaltação. Algumas peças, como xícaras, podem levar cerca de 30 dias para ficarem prontas, enquanto outras, como vasos, podem levar até dois meses.
“A cerâmica é uma arte milenar que sua matéria única é o barro. A argila que vem da terra é a estrela do meu trabalho”, explicou Maria, que conduz cada etapa com atenção, cuidado e carinho.

Maria Luiza costuma organizar seu trabalho em coleções, geralmente lançadas a cada dois meses. “O processo criativo é muito de como me sinto no momento, não gosto de planejar. Às vezes, só pego um pouco de argila e vejo no que vai dar. Outras vezes, uma viagem, uma série ou até o Pinterest me inspiram. É raro fazer algo exatamente como desenhei; mudo o caminho no meio do processo ou até na hora da esmaltação”, explicou. Atualmente, ela está trabalhando numa coleção inspirada em uma viagem, que está saindo conforme o planejamento, segundo a artista.
Entre as coleções, “O belo da vida” tem um significado especial para Maria Luiza. “A coleção que fiz ano passado significou muito pra mim! Passei por um período muito difícil, o mais difícil da minha vida, e eu consegui fazer algo muito bonito para ressignificar esse momento”, contou.
Valorizando a exclusividade, o Studio não mantém grandes estoques e prefere não se prender a isso, pois gosta de inovar e fazer produtos diferentes. Porém, as xícaras são as peças que mais vendem, havendo sempre um estoque delas.
No momento, a artesã está produzindo uma coleção de vasos, em parceria com um artista floral para um evento, que demanda tempo por ser grande. O trabalho precisa de no mínimo duas semanas para modelar, mais de um mês para secar e depois desse processo, dar um acabamento. Segundo Luiza, um dos vasos se chama Vênus e todo o projeto está sendo um desafio, mas também a realização de algo que queria há muito tempo.

Além de artista, ela também é professora. Com formação na área da educação, Maria Luiza decidiu há um ano e meio iniciar cursos de cerâmica, oferecendo diferentes formatos de aulas como cursos de 6 semanas com todas as etapas do processo, aulas regulares com mensalidade fixa e workshops pontuais realizados nos fins de semana. As turmas são pequenas, com no máximo seis alunos, o que permite um acompanhamento mais próximo com os alunos envolvidos.
“O público é bem variado. Eu tenho alunos de 10 a 70 anos, só não costumo misturar muito para conseguir dar atenção a todos. Essas pessoas vêm buscando um novo hobby, um momento para si, ou até uma forma de conhecer gente nova e as aulas acabam sendo um espaço de acolhimento também”, afirmou.
@studio.malum




