Em um cenário empresarial brasileiro cada vez mais competitivo, muitos empreendedores ainda enxergam a inovação como algo grandioso e distante, uma ideia revolucionária capaz de transformar o mercado da noite para o dia. Porém, no dia a dia das empresas, inovar é muito mais sobre atitude do que sobre tecnologia e grandes invenções. É sobre realizar conexões com pessoas e ambientes que são propícios ao desenvolvimento da inovação, e olhar para o que já é feito e pensar de que forma é possível fazer melhor. O segredo da inovação está em encontrar solução. Pode ser através do simples, como adotar um novo canal de atendimento, reorganizar um processo interno ou criar uma experiência diferente para o cliente.
Para o administrador e doutorando em Inovação pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Túlio Baita, esse tipo de mudança também é inovação, conhecida como inovação incremental, inovação no processo ou no modelo de negócios.
“A verdade é que o mercado muda rápido, e quem não se reinventa fica pra trás. Então, para mim, inovar é ter a coragem de experimentar, ajustar o rumo e seguir. É esse movimento contínuo que mantém o negócio vivo”, pontuou.
A inovação precisa ter aplicabilidade no dia a dia e listamos abaixo erros comuns que empreendedores e empresas cometem ao tentar inovar:
1° Erro: Acreditar que inovar é fazer algo revolucionário
Túlio explica que a inovação incremental é aquela que melhora o que já existe, como ajustes, aprimoramentos, pequenas mudanças que, somadas, fazem grande diferença e geram produtividade e a inovação disruptiva que quebra o padrão. Essa prática cria algo totalmente novo, muda comportamentos e transforma mercados inteiros como, por exemplo, o que o streaming fez com as locadoras e canais de TV abertos ou como os aplicativos de transporte fizeram com os táxis. Dessa forma, a inovação incremental evolui o mercado, enquanto a disruptiva revoluciona, e os donos de negócios devem buscar equilibrar as duas.
De acordo com um estudo da McKinsey, 70% das inovações bem-sucedidas são melhorias incrementais em produtos ou processos existentes, não grandes revoluções. Para os negócios que adotam essa visão, essas inovações são poderosas por estarem mais próximas da realidade das empresas, especialmente das pequenas e médias. São ajustes simples que geram valor real e impacto.
“O empresário pode fazer isso, dando atribuições para que a equipe desenvolva processos inovadores, que podem ser modelados e desenvolvidos com incentivos de editais, oriundos de políticas públicas que subsidiam a inovação e, ou fazendo parcerias com incubadoras, aceleradoras ou outros habitats de inovação para negócios que tem como objetivo ajudar no desenvolvimento de projetos dessa natureza”, afirmou o administrador.
2° Erro: Ignorar o cliente
Um relatório da Harvard Business Review destacou que 80% das inovações falham por não atenderem às necessidades dos consumidores. Para o administrador, essas falhas acontecem porque a inovação nasceu de dentro pra fora, ou seja, da vontade da empresa de lançar algo inovador e não de uma escuta real das necessidades do consumidor.
“A falha acontece quando a empresa se encanta com a ideia, mas esquece de validar o problema com os clientes. A inovação bem-sucedida nasce da conexão com o usuário, da escuta ativa e da experimentação constante. Quem entende o consumidor antes de inovar, tem muito mais chance de acertar porque no fim das contas, inovar é resolver dores que são reais, não criar produtos incríveis que ninguém quer usar”, explicou Túlio.
3° Erro: Ter medo de errar
Segundo pesquisa da Deloitte, organizações que adotam uma mentalidade de aprendizado em relação ao erro têm 30% mais chances de serem bem-sucedidas em suas iniciativas de inovação. Túlio acredita que errar faz parte do processo criativo, pois o mesmo precisa ter experimentação. Para ele, inovar envolve incerteza, aprendizado e adaptação constante. Não existe inovação sem tentativa e, consequentemente, sem erro. Quando as empresas entendem isso, conseguem transformar o erro em insumo estratégico. Em vez de punir quem erra, elas analisam, aprendem e ajustam, essa é a base que também permite que, de tempos em tempos, surja algo disruptivo.
Para trazer essa conversa para perto, os negócios devem seguir dois passos: o primeiro é mudar a cultura interna, substituindo o medo do erro pela curiosidade; o segundo é criar espaços seguros para testar ideias, incentivar o feedback, celebrar o aprendizado. Quando o time entende que o erro não é um fim, mas um caminho de evolução, nasce um ambiente fértil para inovar de verdade. No fim das contas, inovar é um processo de tentativa, aprendizado e refinamento e as empresas que mais crescem são aquelas que têm coragem de experimentar e aprender mais rápido ainda.
4º Erro: Não valorizar a criatividade
A criatividade é o ponto de partida, a semente, na qual nascem as ideias, as possibilidades e os problemas que ainda não foram resolvidos. Mas o fruto, que é a inovação, só acontece quando essa ideia é implementada e gera valor econômico, social ou ambiental e ganha aderência ao mercado. Segundo estudo da Harvard Business Review, empresas que cultivam um ambiente criativo têm 3,5 vezes mais chances de serem líderes em inovação. “A criatividade é imaginar, já a inovação é realizar. As empresas que mais se destacam em inovação são aquelas que alimentam a criatividade todos os dias, em todos os níveis. Não é sobre ter um “departamento de ideias”, mas sobre criar uma cultura que incentive as pessoas a pensarem diferente, propor melhorias e experimentar sem medo”, afirmou.
Outro estudo, da Adobe, mostrou que 80% dos trabalhadores acreditam que a criatividade é essencial para o sucesso no local de trabalho, mas apenas 30% se sentem livres para ser criativos em suas funções. Para Túlio, isso acontece porque muitas empresas mantêm processos engessados, na qual a rigidez sufoca a iniciativa. “Para que a criatividade floresça, a empresa precisa criar condições para que as ideias circulem livremente. Isso significa estimular a autonomia, abrir espaço para sugestões, valorizar tentativas e reconhecer publicamente quem propõe melhorias. O papel do líder é inspirar, estimular, conduzir e não impor controles muito rígidos que impeçam a criação”, completou.
5º Erro: Não medir resultados
Outro erro frequente e comum é não medir resultados. A inovação precisa ser acompanhada de indicadores, pois é necessário entender se o que foi implementado trouxe ganho de produtividade, satisfação ou retorno financeiro. “Sem isso, a inovação vira apenas tentativa. Quando a empresa entende que inovar é uma jornada e não somente um projeto, ela começa a gerar valor de forma sustentável e consistente”, explicou.




